09 abr

O impacto econômico da tensão comercial entre China e Estados Unidos

Global JR | Negócios

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 22 de março que seu governo iria impor novas tarifas sobre uma série de produtos chineses. As tarifas para a importação de aço (25%) e alumínio (10%) foram anunciadas por Trump em nome da “segurança nacional”. Diante das críticas internacionais à medida de Trump, vários países – da União Europeia, México e Brasil, entre outros – ficaram isentos da nova medida, mas não a China.

A China divulgou na semana passada que vai impor novas tarifas em até 25% sobre 128 produtos norte-americanos; a decisão é uma resposta ao “movimento protecionista” adotado por Donald Trump, ao taxar o aço e alumínio, informou o Ministério do Comércio chinês. As novas tarifas afetarão produtos como soja, aviões, carros, carne, uísque e produtos químicos, aumentando a tensão comercial entre as duas potências econômicas. No entanto, as tarifas da China contra EUA podem podem favorecer as vendas da soja brasileira para o gigante asiático, pois a China é o principal destino das exportações de soja do Brasil, responsável por comprar quase 80% da soja brasileira (exceto óleo de soja) no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Segundo o professor de Estudos Estratégicos da ESPM-Sul, Gabriel Pessin Adam: “ao prometer taxar produtos chineses, Trump indica que pode adotar um protecionismo mais declarado da economia estadunidense. O país protege alguns setores da economia, mas o presidente parece querer levar esta política a um patamar superior. Cabe lembrar quanto a isto que ele não está sendo nem um pouco incoerente com aquilo que ele prometia em campanha. No quadro geral dos EUA, fica claro que o atual governo procura uma nova abordagem quanto à China, mais assertiva e bilateral do que a adotada durante a Era Obama.”

Ele ainda enfatiza que, no tocante à China, se ela se sente ameaçada pelos EUA em seus interesses, seguindo sua lógica, é normal que procure retaliar os Estados Unidos. O que chama a atenção é o tom forte das declarações chinesas, o que revela que ela aumentou sua autoconfiança a ponto de se sentir à vontade de ameaçar os EUA com uma “guerra comercial”, e os EUA não estão muito acostumados a receber sinais tão diretos e audazes de outros países, salvo a Rússia de Putin.

Para a economia brasileira, esse cenário pode ser interessante, pois há espaço para ocupar nas importações chinesas, em especial, já que um dos produtos a serem taxados por Pequim é a soja estadunidense.

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